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  • 07/08/2007
  • VEM BAILAR COMIGO
  • Por Ingrid Birnfeld,
    advogada

    O advogado havia elaborado um mandado de segurança requerendo que, em medida liminar, fosse levantada a penhora efetuada sobre contas bancárias do seu cliente, uma empresa com mais de 200 empregados.

    Já era mais de uma hora da tarde, e como teria de fazer uma sustentação oral no Tribunal de Justiça e os demais advogados do escritório estavam em audiências, o advogado decidiu que a tarefa de distribuição do mandado de segurança seria feita por - digamos - "Alice", a estagiária mais experiente e expedita do escritório.

    - Quero que dês absoluta prioridade para isto. Pede urgência na distribuição e, assim que souberes qual juiz relator apreciará o requerimento, vai ao gabinete dele e tenta marcar um horário em que ele possa me receber. Vou esperar um telefonema teu.

    Foi com essas orientações que "Alice", não fossem as suas rosadas bochechas a denunciar a sua tenra idade, saiu do escritório em direção ao Tribunal Regional do Trabalho com a confiança e desenvoltura dos mais experientes advogados.

    Um pouco depois das cinco horas, passos ágeis e firmes indicavam o retorno da estagiária ao escritório.

    - E aí, como foi? – o chefe questionou, ansioso.

    - Foi difícil, mas conseguimos.

    - A liminar?

    - Sim, doutor, foi deferida a liminar! – "Alice" vibrou diante de vários colegas.

    - Mas não combinamos de me ligares pra eu ir lá falar com o juiz? - questionou, surpreso, o advogado.

    - Doutor, não tive como. Distribuí o mandado, esperei que me dessem o número da autuação e designassem o relator e pedi para que os autos fossem para o gabinete com urgência, mas isso levou mais de duas horas. Depois, fui ao gabinete explicar a situação e, quando eu esperava que a assessora saísse da sala dele com a definição do horário para conversarem, ele, ele mesmo, me chamou e mandou entrar. Nem consegui dizer que eu não era advogada.

    - E daí, mulher, o que foi que tu disseste? – perguntou uma outra estagiária.

    - Eu falei que se ele não deferisse a liminar até amanhã então duas centenas – duas centenas, isso eu marquei bem - de trabalhadores ficariam sem salários, já que a empresa precisava do dinheiro bloqueado para pagar a folha do mês. Disse também que há outros bens que suportam a dívida.

    - Mas então nem foi muito difícil, ganhaste o dia... – o advogado ponderou.

    - É, doutor, mas eu ainda não contei que, durante a conversa, uma música tocava baixinho na sala, e quando me levantei para ir embora, ele disse, aumentando o volume, que apreciaria a questão com rapidez, e que ficaria honrado caso eu dançasse com ele!

    - Sério? E o que foi que fizeste? - o chefe perguntou, provocando a memorável confissão daquela que, poucos anos depois, ficaria conhecida como uma das mais competentes e habilidosas advogadas da sua geração:

    - Dancei!...

    Fonte: Espaço Vital - 14:05hs